
“Cortar gastos, pagar dívidas, fazer regime, ir ao dentista. Para quase todo mundo, isso é bastante desagradável. Por que então não deixar para depois?
Eu também costumo adiar o que não me traz prazer ou o que, penso, dará muito trabalho. Outro dia, li um interessante exemplo criado pelo inesquecível escritor americano Mark Twain: imagine que, por algum motivo de saúde, você seja obrigado a comer um sapo vivo, grande e melado. Não há escolha, é preciso comer para sobreviver, uma questão de vida ou morte. Quando você vai querer comer esse sapo? Vai deixá-lo sobre a mesa do escritório? Em cima da pia da cozinha até que surja um pouquinho de vontade? Na sacada do apartamento, enquanto você pensa sobre o assunto? Ou vai sair para o boteco com os amigos para esquecer o problema? Tudo isso só aumentará seu grau de insatisfação. Aposto que você não encontrará mais prazer na vida. Ficará imaginando qual é o sabor daquele sapo nojento.
A melhor saída? Engolir o sapo o mais depressa possível. O anfíbio não vai ficar com gosto melhor depois de alguns dias. Por isso, é bom enfrentar logo o problema. Comendo o sapo agora você vivenciara a mesma experiência desagradável que teria ao comê-lo daqui a 50 dias. Só que, ao resolver a questão imediatamente, você vai se livrar do estresse de ficar pensando no sapo. Depois de comê-lo, ele não habitará mais seus pensamentos.
Seguindo essa estratégia, Mark Twain dizia ser melhor deixar as piores coisas para o inicio do dia e, para o fim, reservar apenas o que lhe dá prazer. Quem adia problemas foge da realidade e só fala sobre coisas vagas, em um futuro sempre distante.
Geralmente, pessoas fracassam não porque trabalham pouco, mas porque se ocupam de muitas coisas sem importância. Sucesso financeiro tem muito a ver com escolher o que precisa ser feito, saber eleger prioridades. Fazer o que se gosta não é suficiente para ficar bem na vida. Mas, se você conseguir criar uma disciplina para executar primeiro o que é desagradável, provavelmente ficara numa situação muito privilegiada ...“
Mauro Halfeld para revista Epóca.
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