sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Aceitação incondicional


Recentemente terminei minha faculdade.

O último trabalho que tive que apresentar foi o de sociologia.

O professor apresentou um projeto chamado sorriso.

Foi solicitado à classe que saísse, sorrisse para três pessoas e documentasse suas reações.

Logo depois da aula, eu, meu marido e meu filho mais novo fomos à uma lanchonete.

Estávamos na fila esperando nossa vez, quando repentinamente todos à minha volta começaram a se agitar e a se afastar, inclusive meu marido.

Eu não me movi um centímetro...

Me virei para ver porque tinham se afastado.

Foi quando senti o terrível cheiro de corpo sujo e lá estavam dois pobres mendigos.

Quando olhei para o que estava mais próximo, ele estava sorrindo.

Seus bonitos olhos azuis estavam cheios da luz de Deus e procuravam por simples aceitação.

Bom dia.

- Ele disse timidamente enquanto contava as poucas moedas que tinha.

O segundo homem permanecia atrás de seu amigo, agitando os braços.

Observei que o segundo homem tinha deficiência mental e o cavalheiro dos olhos azuis era o seu guardião.

A garçonete perguntou o que queriam.

- Apenas café, senhorita.

- respondeu, porque era tudo que poderiam comprar com os recursos que tinham.

Se quisessem sentar no restaurante para se aquecer, tinham que comprar alguma coisa.

E o que queriam mesmo era se aquecer.

Então, eu realmente senti uma compulsão tão grande que quase estendi a mão e abracei o homem dos olhos azuis.

Foi quando notei que todos os olhos na lanchonete me observavam, julgando cada ação minha.

Eu sorri e pedi que a garçonete acrescentasse duas refeições, um pequeno almoço, em bandejas separadas.

Fui até onde os homens tinham se sentado e pus as bandejas sobre a mesa e coloquei minha mão sobre a fria mão do homem dos olhos azuis.

Ele me olhou emocionado e agradeceu.

Inclinando-me um pouco, respondi, - Não sou eu que faço isto por vocês.

É Deus que está trabalhando aqui, através de mim, para dar- lhe esperança.

Me afastei para juntar-me a meu marido e meu filho.

Quando me sentei, meu marido me sorriu e disse, - É por isso que Deus me deu você, querida.

Para me dar esperança.

Aquele dia me mostrou a pura luz do doce amor de Deus.

Retornei à faculdade, para a última aula, com esta história nas mãos.

Eu a transformei em meu projeto e o professor o leu.

Então olhou para mim e disse, - Posso compartilhar isto?

Eu concordei e ele pediu a atenção da classe.

Começou a ler e todos nós percebemos que, como seres humanos, temos a necessidade de curar as pessoas e de sermos curados.

Ao meu jeito, eu tinha tocado as pessoas naquela lanchonete, em meu marido, em meus filhos, em meu professor, em cada alma daquela sala onde tive a última aula como uma estudante de faculdade.

Eu me formei com uma das maiores e mais importantes lições que aprendi: Aceitação incondicional.

Amar as pessoas e usar as coisas, ao invés de, amar as coisas e usar as pessoas.

2 comentários:

Unknown disse...

Raquel, na busca do seu aprimoramento, tenha certeza de que não está sozinha, pois vc nos envolve com tal brandura que absorvemos naturalmente o seu apendizado. Continue amiga!! bjs. Sandra

Rogerio disse...

Raquel é com grande prazer e brilho que escrevo aqui meu comentário. Soube por Rosinha nossa amiga em comum, dentre todos os “aceitação incondicional” foi a que mais me chamou a atenção, talvez por que tenha acontecido comigo algo parecido, e gostaria de compartilhar com você amiga, e com os leitores deste lindo Blogger.

Aconteceu comigo realmente, faz mais ou menos uns 14/16 anos. Morava eu em um bairro do Recife de vizinhança humilde, o prédio donde morava não era tão simples para a realidade do ambiente, em comparação aos dias de hoje é de porte médio em termos de classe social. Certo sábado pela manhã toca o interfone, atendi e percebi que era meninos de rua pedindo ajuda, fui pessoalmente atende-los, percebi que eram dois , entre 11 e 12 anos, pedindo algo para comer, decidi abrir o portão e os mandei entrar e sentar na área de espera, enquanto eu subia novamente para preparar dois pães com dois cafés para eles, quando terminei e voltei, um morador achou estranho a presença deles sentados ali, intervir e falei que estavam comigo, provavelmente achou incomum mais ficou sem força argumentar, afinal não é normal um menino de rua postado naquele ambiente, enfim fui aos meus convidados para levar o alimento, lembrando que eram dois cafés e dois pães, cada um pegou um copo de café e apenas um pão e me pediu uma sacola para embalar o outro pão que ainda estava em minha mão, repartiram o pão e começaram a comer, naturalmente tinha que perguntar por que eles só queriam um pão, e me responderam que tinham um irmão em casa mais velho doente com os membros inferiores atrofiados e que provavelmente estaria também com fome, e que aquele pão lhe serviria para matar a fome até mãe chegar. Poderiam ser mal vestidos, de pés descalços, mais naquele momento fui eu o aluno e eles os professores.

Claro que nos dias de hoje não podemos fazer mais isso, a violência atinge a todos, principalmente as crianças, mais sempre podemos fazer algo por alguém e expressar amor sobre a ACEITAÇÃO INCONDICIONAL.

Obrigado por me fazer lembrar desta passagem na minha vida.

E aproveitando para lhe desejar felicidades, muita saúde para você e todos de sua família.

Do amigo e irmão de jornada.

Rogério B. de Oliveira.